domingo, 23 de agosto de 2015

Retrospectiva - Intercâmbio na California 2015


É muito difícil essa volta de intercâmbio, 6 meses em país de primeiro mundo, conhecendo pessoas de todos os lugares, Itália, Noruega, Áustria, Alemanha, França, China... 
Nesses 6 meses, eu não fiquei apenas na California, parece que eu fui para vários outros países, porque cada amigo que eu fiz tinha uma nacionalidade diferente e me contava sobre como era o país dele, era como se eu tivesse ido para a China, Itália e etc.
Hoje, já de volta no meu país, Brasil, um país de terceiro mundo, não tendo mais como título "intercambista", e nem tendo mais amigos de todas as partes do mundo perto de mim, agora cada um deles está de volta em seus respectivos países.
E é claro, como esquecer, dos americanos, os quais foram minha família, e eu convivia todos os dias, eles me ajudavam, e me ensinavam muitas coisas, faziam com que eu falasse o inglês o máximo que eu puder, e sabiam que eu estava ali para aprender.
Saudades. Saudades das noites que se tornaram manhãs, amigos que se tornaram família e sonhos que se tornaram realidade.
Só quem viveu essa experiência, e quem estava comigo sabe o significado dessa saudade que parece que não passa. Aquela história de "depressão pós intercâmbio" passou a fazer sentido.
Mas, tento me manter firme, e quando bate a tristeza, lembro que apesar de todos os problemas, eu nasci em um país maravilhoso, rico, com muita diversidade, e que me dá muita liberdade para fazer o que eu quiser.
É certo que comparando minha vida daqui e de lá, eu tinha mais liberdade lá, andava de ônibus, metrô, ia para lugares sozinha, e me virava sozinha. Aqui, nada me impede de fazer as mesmas coisas, mas o medo de ser assaltada, o medo de não voltar mais, o medo pela segurança precária que temos em nosso país.
Sim, temos muita liberdade, mais liberdade que os americanos, lá eles tem muitas leis, regras, a polícia está em todos os lugares, o que eles não tem lá é medo. As casas tem muros baixos, as portas estão sempre abertas, os brinquedos das crianças ficam expostos na calçada durante dias, meses, anos, não é costume colocar cerca elétrica, e sistema de segurança, eles não precisam disso.
E é como se uma rua normal fosse um condomínio fechado.
Ao mesmo tempo que TEMOS muita liberdade de expressão, e pudermos fazer o que quiser, falta segurança, falta muita coisa ainda.
Todo o país tem seu problema, seja a segurança, a desigualdade social ou o medo de terroristas, de adolescentes que trazem arma para a escola (lá o porte de armas é legalizado).
Aprendi com o tempo, que não importa onde estivermos, Paris, Milão, Londres ou Nova York, nós temos que estar bem com nós mesmos, com o nosso íntimo, se não estivermos bem com nós mesmos, não estaremos bem em nenhum lugar. E que não importa se eu ficar, 1 mês ou 1 ano em qualquer lugar do mundo, minha casa, minha família, vai estar sempre aqui no Brasil. E que a minha vontade de mudar o mundo, de mudar o país em que vivo vai sempre prevalecer.
Eu gostaria muito de morar em outro lugar, mas mais do que querer morar na California ou em Londres, eu quero mudar o meu país, eu quero fazer a diferença, e quero que o Brasil cresça e se torne um país de primeiro mundo.
Isso pode demorar para acontecer, mas sou otimista e a esperança é a última que morre.
Sinto-me privilegiada de ter tido a chance de ter vivido momentos tão maravilhosos nos Estados Unidos, de ter criado elos fortes, e poder dizer que tenho duas famílias, uma brasileira e outra americana, sinto-me orgulhosa de ter amigos de todos os lugares do mundo, de conseguir ter aprendido o inglês e levado as experiências boas e ruins como lição de vida.
E é muito bom, poder contar para a minha família e amigos as diferenças entre aqui e lá, e o que podemos mudar e o que temos de bom que os americanos podem aderir na vida deles.
Nunca pensei que fosse tão difícil me readaptar a minha vida, a qual eu levava desde que nasci. Nunca pensei que a saudade seria tão grande. Nunca pensei que viveria metade de tudo o que eu vivi lá.
Já fui, já voltei, e estou no Brasil. Como passa rápido. É insano.
Foi tão demorado o processo para eu ir, documento, dinheiro, burocracia e outros. Demorou tanto, que eu nem acredito que eu já fui e já voltei. Foram os 6 meses mais rápidos da minha vida, e tenho a sensação de que foi tudo um sonho e de que nada aconteceu.
Agora vou continuar minha vida aqui, torcendo para que as coisas melhorem, e que o dólar abaixe.
Espero um dia ter outra oportunidade como essa e poder visitar os meus amigos de outros países, e minha família que deixei lá.
Obrigada a todos que leram esse texto, e eu desejo essa experiência a todos, eu recomendo muito, se você tiver a chance, se seus pais concordarem corra atrás, não importa o lugar, a experiência vai ser RICA e INESQUECÍVEL. O meu conselho é "VÁ" "Vá, sem medo, arrisque, tenha a certeza que você não vai se arrepender".

"Viajar é a única coisa que você compra e te deixa mais rico"

Fiz uma retrospectiva, resumi 6 meses em alguns minutos, fazer esse vídeo, foi como uma terapia, foi como um aviso para mim mesma "foi bom enquanto durou, agora entenda, que ACABOU, não se esqueça das pessoas e nem do que aprendeu, mas viva o presente".


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