quinta-feira, 30 de junho de 2016

Sinto saudades do passado, mas não quero voltar


Eu sempre estou relembrando do passado, a todo momento me pego relembrando de coisas que já aconteceram. 
Aquele mico que eu paguei há 5 anos, mas não sai da minha cabeça e só de lembrar sinto vergonha, aquele dia que eu fui muito feliz com os meus amigos, aquele outro que eu tirei a melhor nota depois de ter estudado tanto, ou aquele outro dia que eu tive que me despedir de quem eu mais amava.
De fato, todos nós seres humanos temos várias lembranças, somos compostos por lembranças, por momentos felizes, tristes, vergonhosos, alegres... Momentos de sorte e momentos os quais você gostaria de apagar.
Como seria bom se nosso cérebro funcionasse como o computador e pudéssemos revisitar algumas pastas e arquivos antigos e apagar outros arquivos, acessar a lixeira de vez em quando e tomar coragem para apagar os arquivos da lixeira definitivamente. É assim que me sinto.
Quando lembro de um momento feliz, automaticamente fico feliz, mas não quero voltar, não quero aquelas pessoas de volta.
Quantos amores, ilusões, sonhos, alegrias... Saudade dos momentos, mas não os quero de volta. Quero que eles permaneçam como meras lembranças. Não sou mais a mesma. Mudei, e a minha mudança é constante.
Sou resultado de todas as minhas memórias e vou construindo memórias novas todos os dias, sou resultado das pessoas que eu conheço, das viagens que eu fiz, dos ensinamentos dos meus pais, do jeito com que a minha família me trata e é. Sou resultado de cada lugarzinho onde passei, de cada pessoa a qual eu conversei. Cada uma, acredite, por mínima que tenha sido a convivência, que tenham sido apenas 2 minutos de conversa, fez a diferença.
Talvez eu não me lembre de você, talvez eu tenha me esquecido do assunto que estávamos conversando, mas eu sei que fez a diferença.
Quando o seu passado é maravilhoso e o seu presente está sendo um fracasso, a tendência é querermos voltar o tempo todo, mas é importante ressaltar que se o presente não está sendo tão bom quanto o passado é hora de fazermos as coisas acontecerem, tirar a bunda da cadeira e FAZER. Não deixar com que os sonhos sejam apenas sonhos.
Não podemos mudar o que já aconteceu, mas podemos recomeçar.
A pessoa que viveu aquilo era um alguém diferente do alguém que me tornei. Tenho orgulho de quem eu me tornei e não me arrependo de quem eu era e do que eu já fiz. Não mudaria e nem voltaria, pessoas que eu gostava antes, já não são mais as mesmas, e algumas continuam sendo as mesmas, mas eu não.
Então, vamos seguir em frente...

sábado, 18 de junho de 2016

Falar sobre racismo é necessário

(Protesters near Boston Police headquarters on April 29. Steven Senne/AP Photo) - Mother Jones - "A vida de pessoas negras importa".

Quando é que vamos aprender que discutir temas como racismo, lgbtfobia e machismo é importante? Quando é que vamos dar a mesma importância que damos para o vestibular para esses assuntos também?

Quando um professor tenta debater sobre estes assuntos, percebo a falta de interesse dos alunos, uma parte da sala coloca os fones de ouvido, a outra começa a dormir, a outra começa a conversar com quem está do lado sobre assuntos aleatórios, a outra levanta a mão e pergunta "quando é que vamos para a aula?" "isso vai cair na prova?" "tem no vestibular?", mas ainda sim, vejo aquela minoria, aquele grupo de pessoas que pararam tudo o que estavam fazendo e começaram a prestar atenção na aula e em cada palavra que era dita ali.

Um debate começava, com muita dificuldade, o professor tentava chamar a atenção dos demais, mas não conseguia ganhar 100% da sala.

O segredo é dizer que vai cair na prova, que vale nota, que vai ter redação, que vai cair no vestibular... 

O que foi que o sistema fez conosco? Para pensarmos que a vida se baseia numa prova, e que só o que está naquela prova faz sentido ou importa, o resto é jogar conversa fora, é papo de "boteco". Olha... Isso é grave.

Quando é que vamos parar para pensar, que não somos uma prova? Não somos aquela nota baixa e nem aquela nota alta no nosso boletim, não somos um boletim! Somos seres humanos, estamos vivos, e há outros de nós espalhados pelo mundo, quem é que está morrendo? Quem é que está sofrendo?

Racismo é coisa séria. E existe! Democracia racial não existe no Brasil, somos uma democracia, vivemos em festa, temos carnaval, futebol, mistura de raças, diversidade de culturas, comidas típicas, frutas, cores... Não é bem assim. Não! Definitivamente NÃO. A vida aqui no Brasil não é uma festa e não há respeito mútuo em todos os lugares, existe o preconceito, o racismo, existe, e precisamos combate-lo.

Vamos as estatísticas: 
  • Negros são menos de 18% dos médicos e não chegam a 30% dos professores universitários (fonte: Rede Brasil Atual, 2014)
  • No curso de medicina, apenas 2,7% dos formandos são negros (UOL educação, 2013)
  • Apenas 11% dos jovens negros no Brasil fazem ensino superior, diz estudo da ONU (Portal R7, 2014)
  • Número de negros assassinados aumenta e de brancos diminui no Brasil (Pragmatismo político, 2015)
  • Jovem negro tem 2,5 vezes mais chance de ser assassinado do que branco (UOL notícias, 2015)
  • Jovens e negros são as maiores vítimas de homicídio no Brasil (Época Globo, 2014)
  • Homicídio contra negras aumenta 54% em 10 anos, aponta Mapa da Violência 2015 (ONU Mulheres, 2015)
  1. Mais brasileiros se declaram negros e pardos e reduzem número de brancos (EL País, 2015)
  2. Negros representam 54% da população do país, mas são só 17% dos mais ricos (Economia UOL, 2015)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Você também tem voz

Cadê a sua voz? Cadê a voz de todo mundo?



De uns tempos pra cá, tenho meu auto-analisado e percebi o quanto eu sou uma pessoa passiva, que não toma decisões, espera as pessoas fazerem as coisas por mim ou me darem aquele empurrãozinho que eu estava precisando. Sinto-me envergonhada de todas as coisas que já deixei de fazer esperando que alguém faça primeiro do que eu, ou das coisas que deixei de falar, por medo do que vão pensar, não reclamando perante as injustiças, mas alertando os meus amigos sobre tudo o que eu sentia tentando manipula-los para que eles façam aquilo que eu quero, mas não tenho coragem, FALAR, AGIR.

Sou uma pessoa de muitas ideias, tenho esse blog já faz 6 anos, tenho meus princípios e meus interesses, mas muitas vezes não conto, deixo de lado, e penso que são irrelevantes por medo de me expor, medo do que as pessoas vão pensar de mim, medo da exposição, medo de me comprometer e não saber o que vem depois. E vou reprimindo tudo aquilo que eu sinto.

A mensagem que eu quero trazer para vocês leitores é que, não podemos ficar calados em situações que nos incomodam, se está te incomodando, fale, exponha, não tenha medo. Não fique guardando. Eu que sempre digo que quero fazer revolução, sempre penso que a revolução ideal seria me manter no anonimato, ir jogando as coisas no ar, vai que alguém pega e entende o que eu sinto. Mas, ninguém faz revolução no anonimato e se escondendo.

Eu tenho voz e descobri a pouco tempo.

Vou usa-la. Vou fazer com o que a minha própria existência seja um ato de revolução. Esqueço de que a vida é preciosa demais para passarmos por ela em branco, estamos vivendo ou apenas sobrevivendo?

Empoderem sua amiga, sua mãe, sua tia, sua irmã. Acredite em você mesmo. Se joga! Grite em voz alta as suas ideias.

Está com medo? Vá com medo mesmo! Mas, vá!